Lenine por Badi Assad

Pronto. Deixarei os Ingleses para voltar à minha terra… para falar de um dos meus preferidos cantautores de todos os tempos, Lenine.

Oswaldo Lenine Macedo Pimentel quando nasceu fez homenagem, através do pai, ao líder soviético socialista. Por acaso ou não, nosso Lenine fez com a música um pouco do que o russo fez com a política: Música para uma sociedade igualitária, sem classes sociais e apátrida.

Corre em suas veias o ritmo da terra que ele, mais do que ninguém, deixa transcorrer pelas mãos enquanto suinga pelas cordas do violão, criando um estilo tão próprio que virou escola. Ele trouxe à sua geração uma brasilidade contemporânea, dialogando com o mundo, dedilhando o instrumento mais brasileiro que existe (violão) e o reimplantando na coluna vertebral da música popular, com ritmos tão intensos que dispensam percussões. Na verdade elas vêm, mais para complementarem seu som do que para instigá-lo ou sequer definí-lo.

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Embora trazendo em sua bagagem de influências gêneros como o rock’n roll da banda Inglesa (eles novamente!) ‘Led Zeppelin’, o som autoral do Norte-Americano Frank Zappa e o som nacional do Clube da Esquina, por exemplo, Lenine foi estudar Engenharia Química. Vale ressaltar que esta é uma área de estudos voltada ao desenvolvimento de processos industriais que empregam transformações fîsico-químicas. O engenheiro químico cria técnicas de extração de matérias-primas, bem como de sua utilização ou transformação em produtos. Sim, acho que ele precisava mesmo aprender arregimentar tanto sons distintos dentro de sua cabeça. Então Lenine é o nosso primordial Engenheiro Químico Musical. Voilà!

Mas que bom que ele ‘trancou’ os estudos, quando se mudou, aos 20 anos, para o Rio de Janeiro, pois foi aí que se ‘libertou’, para poder fazer arranjos químicos harmoniosos. Acabou na Urca e é lá onde vive até hoje.

Lenine teve uma vida pré-sucesso nacional, que o deixou no anonimato (injusto) por muito tempo. Seu primeiro LP ‘Baque Solto’, com o músico Lula Queiroga (1983) nasceu e passou pela vida despercebido. Somente dez anos depois, ao lado do carioca percussionista (e digno de sua própria história) Marcos Suzano, o CD ‘Olho de Peixe’ nasceu e nadou por entre lares brasileiros e internacionais. Uma das melhores gravações da história da MPB, sem sombra de dúvidas…

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Hozier por Badi Assad

Hoje vou falar de outro fenômeno meteórico no cenário atual do universo da música, Hozier.

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Hozier nasceu no interior da Irlanda. Como consequência, e apesar de ter crescido na era da internet, teve pouquíssimo acesso a ela. Sua infância e adolescência, portanto, foram distantes das influências do mundo. Por sorte pode ouvir música da melhor qualidade através do pai, baterista de blues-rock, que acabou naturalmente o influenciado: ‘Eu desenvolvi um fascínio com as raízes da música Afro-Americana, aprendendo a me apaixonar por Muddy Waters e Nina Simone entre outros.

Rodeado pelos conceitos religiosos de uma cidade pequena, conseguiu escapar através dos pensamentos próprios, pincelando-os como mosaicos em paisagens musicais: “Vindo da Irlanda, obviamente, há uma certa ressaca cultural a partir da influência da igreja. Você encontra um monte de gente andando com corações pesados e consequentes decepções, e essa droga toda é passada de geração para geração”…

A canção que o consagrou ‘Take me to church’ foi escrita para expressar alguns de seus sentimentos: “A sexualidade e sua orientação, independentemente do gênero, é algo primordialmente natural. Um ato sexual é uma das ações mais originalmente humanas, mas uma organização como a igreja e suas doutrinas, coloca o assunto em pauta e ensina, infelizmente com sucesso, sobre a vergonha de uma orientação sexual entre o mesmo sexo, por exemplo. Quem o faz é pecador, ou que o ato ofende a Deus. Essa canção é sobre afirmar-se e recuperar sua humanidade através de um ato de amor, abraçando todos os gêneros, sem distinção’.

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“Alt – J” por Badi Assad

Yes, Ed Sherran com os CDs ‘+’ e ‘x’ e a banda que falo hoje com o nome ‘∆’. Todos nascido em berço britânico. Se você não sabe como escrever o símbolo delta em seu mac, aperte Alt-J.

Voilà… Descobriu o nome do grupo que vem revolucionando a história do rock’n roll e conquistando, em menos de 3 anos (desde seu primeiro CD ‘An awesome wave’), legião de fãs apaixonados.

Alt-J é formado pelo vocalista e guitarrista Joe Newman e seus amigos de juventude universitária Gwil Sainsbury (guitarra/baixo), Gus Unger-Hamilton (keyboards/vocals) e Thom Green (bateria).

O primeiro CD da banda foi lançado com uma dificuldade enorme: A de ser catalogado nas categorias pré-existentes. Contudo foram pegos de surpresa quando ganharam o mais prestigiado prêmio inglês, como melhor álbum do ano (2012) pela ‘Mercury Prize’. A partir dai o quarteto vem colecionando histórias inesperadas, já que não tinham ambição quando se juntaram para fazer o que mais gostavam nas horas vagas da faculdade, música.

‘∆’ (Delta – Símbolo tradicionalmente usado para representar mudança ou diferença ), faz música empírica, experimenta, ousa, mistura interlúdios a capella com pequenas peças instrumentais tocadas em violão acústico; mistura folk com música eletrônica… Imaginem um rock introspectivo e quieto. Imaginou? Assim são eles…

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Eu falei Ed Sheeran?

Não anunciei, mas não sairei tão cedo da Inglaterra. Enquanto eu crescia e de bem longe ouvia os ecos de Beatles, Led Zeppelin, The Who… Não imaginava que aqueles meus futuros preferidos não eram americanos e sim britânicos. Não me perguntem o porquê, pois somente desconfio. Porém hoje, muitas décadas depois, me deparo com momento similar. As melhores bandas atuais que venho sendo abduzida e que desdobram-se em inglês são britânicos e não americanos, novamente. Ai esses ingleses… Como procriam música boa! Impressionante a lista e, ao que parece, infinita.

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Digo isso para chegar a Ed Sheeran. Ele sobe ao palco sozinho com seu violão e microfones para criar uma sinfonia de sons e conduzir sua ferrari imaginária. Começa com a pulsação de um encadeamento harmônico no violão, muda a marcha, sobrepõe uma batida no tampo percussivo do instrumento, dá outra mudada de marcha, acrescenta uma voz, mais uma, cria outra, inventa um coral. Derrepente cancela tudo e segue solo com voz e violão. Quando o refrão chega, acelera na marcha correta e atropela a todos com uma orquestra perfeita. Um verdadeiro e completo ‘Homem Banda’.

Ed chega ao palco para cantar suas próprias canções, e como são lindas. No meio delas muitas de amor, ‘Lego House’, ‘Open your Eyes’… Mas aqui e ali fala de assuntos delicados, como o de uma adolescente chamada Angel, viciada em drogas, vendendo o corpo para comprá-la e morrendo de overdose em ‘The a Team’; Em ‘Small Bump’ escreve lindamente sobre a experiência de um amigo (embora tenha personalizado escrevendo na primeira pessoa) que teve a gravidez da esposa interrompida aos 4 meses de gestação. Romanticamente fala ‘talvez você nascesse com meu cabelo, mas os olhos seriam de sua mãe’…

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Mumford & Sons

Tenho escutado muita música e encontrei… Um grupo de jovens que me fez parar para refletir. Se chamam Mumford & Sons. Ingleses. Ah esses ingleses…

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O líder do grupo, Marcus Mumford se juntou aos outros multi-instrumentistas Ben Lovett, Winston Marshall e Ted Dwane para criar a banda que vem conquistando como um furacão o mundo folk-rock internacional. Eles dizem que não é completamente certo os designarem somente como folk-rock, mas é inegável a influência.

Queriam um nome que invocasse o sentido de um “conceito de empresa familiar antiquado”. De fato, quando olhamos suas fotos, parecem saídos de um escritório cult da quinta avenida.

Quando pesquisei encontrei fóruns online discutindo sobre os significados de suas letras. Todos da banda compõe, mas a maioria das poesias são de Marcus, que tem mesmo uma forma muito pessoal de escrever. Não temos certeza se está falando da mulher amada ou dialogando com Deus.

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Eu falei Youssou?

Youssou N’Dour nasceu no Senegal e, assim como a congolesa Zap Mama, sonhava em ser esportista quando crescesse, mas acabou acidentando-se e levando suas aspirações com a bola narrassem outra espécie de gol, a que os locutores usam quando a bola gira para dentro da rede vazia. Suas cordas vocais começaram a emitir um timbre próprio e forte, tornando-se a mais representativa de seu povo e transformando a história cultural do seu país. Um golaço.

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N’Dour passou a infância ouvindo a mãe contando histórias em forma de canções, no tradicional ‘griot’. Misturou essa memória com os ritmos wolof e cubanos para desenvolver o mbalax. Talvez estes sejam nomes que você não reconheça mas com certeza se os ouvisse, sua memória celular faria corpos e pernas girarem num vai e vem de quadris nervosos.

Fundador do grupo mais famoso da África, o ‘The Super Etoile’, N’Dour levou suas certezas para o palco e para fora dele, quando passou a lutar pelos direitos humanos. Ao lado de artistas como Peter Gabriel, Sting e Tracy Chapman, participou incansavelmente de movimentos como a Anistia Internacional, UNICEF, Live 8 Concert, Liberdade para Nelson Mandela…

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Zap Mama por Badi Assad

Marie Daulne, conhecida por Zap Mama, nasceu em terra africana, mas foi criada na europeia. Seu pai, cidadão belga casado com uma congolesa, foi assassinado durante a crise no país em 64. Marie, ainda menina, foi transferida com a mãe e irmãos para as terras longínquas paterna. Cresceu ouvindo música ‘branca’, já que sua mãe temia que os filhos somassem à dor da perda do pai a do racismo. Na época haviam poucos negros vivendo no novo país… E assim Marie cresceu distante de suas primeiras raízes. Todavia não tardou para que, apesar dos esforços da mãe, fosse beber na fonte de seus antepassados.

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O único contato que a menina tinha com os negros era através da televisão, com seus expoentes no esporte e música. Marie se encantou primeiramente com a atividade física e passou a alimentar sonhos olímpicos. Todavia seu destino musical a chamou definitivamente quando o futuro veloz foi interrompido por uma fratura na perna.

Contudo suas experiências na pista de corrida a fez apurar passos na dança moderna e a fez coreógrafa possibilitando, futuramente, dirigir o grupo que inventou, Zap Mama, misturando música negra americana (Urban, Hip-Hop, R&B, Nu-Soul, Jazz) com Afro-Pop; cantando a capela e usando somente vozes humanas com algumas pequenas intervenções de instrumentos percussivos.

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Badi no “Repórter Eco”

Entrevista para o ‘Repórter Eco’ da TV Cultura. Badi fala sobre a importância da conscientização dos pais na educação de seus filhos para re-conquistarmos um mundo sustentável e respeitado. Através de seu CD infantil ‘Cantos de Casa’, Badi acredita estar plantando sementes no coração de famílias. Confira.