Love and other manias

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2014

Recorded at YB Music Studios, distributed in Europe by O-Tone Music.
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1.Quarto da Rainha (Badi Assad)
2.Pega no Coco (Badi Assad)
3.Saudade Verdade Sorte (Badi Assad e Pedro Luís)
4.Ultraleve (Badi Assad)
5.Vinheta Noite (Badi Assad)
6.Noite de São João (Badi Assad)
7.Catupiri (Badi Assad)
8.Vinheta Coração (Badi Assad)
9.Para Chegar ao Meu Coração (Badi Assad)
10.O Barco Daqui de Dentro (Badi Assad)
11.Eu Vim Daquele Lugar (Badi Assad)
12.Apimentados Momentos (Badi Assad)
13.Mulheres e Cunhatãs (Badi Assad)
14.Mar Egeu (Badi Assad)

Lyrics


Quarto da Rainha
(Badi Assad)

Pra chegar no quarto da rainha
tem que atravessar o castelo
talvez não leve muito tempo
se você ignorar os critérios

Para entrar no quarto da rainha
tem que percorrer o palácio
e mesmo se estiver cansado
vai ter que dar conta do recado

E pra evitar convivências
a saída de emergência está sempre à direita
e funciona mesmo na inocência
e para evitar consequências
a saída de emergência está sempre à direita
e funciona mesmo na evidência

Para chegar no quarto da rainha
tem que atravessar o castelo
talvez não leve tempo algum
se você ignorar os mistérios


Pega no Coco
(Badi Assad)

ele acorda todo dia
com a buzina do despertador
que, incrivelmente, toca… toca… sem parar
sai da cama, toma seu banho, beija o filho
e vai trabalhar

e pega, pega no coco
quebra, quebra o coco
rala… o coco
pega no coco, embola o coco

tecla a manhã todinha,
munido a água e café
até que a sirene toca sem parar
e ele, enfim, se levanta, abre a marmita
e tira a colher quem sabe: tirando a colher
e pega, pega no coco
quebra, quebra o coco
rala… o coco
pega no coco, embola o coco

e assim o tempo se perde
por entre as tardes de um dia qualquer
sem promoção para no tranco
e volta pra mulher

e pega, pega no coco
quebra, quebra o coco
rala… o coco
pega no coco, embola o coco


Saudade Verdade Sorte
(Badi Assad & Pedro Luís)

Que a rara sabedoria,
dessas de viver com arte,
nos faça, de parte a parte,
escolher sempre do bom

Atmosfera se cria:
dia a dia ser mais forte
é bom pra forjar um norte
e nunca sair do tom

Qual vinho que o tempo curte
que a vida nunca nos furte
saudade verdade sorte


Ultraleve
(Badi Assad)

no ultraleve levo, na asa delta deito

no para-raio caio e nem me atrapalho

no dirigível giro, no zepelim zonzeio
do parapente freio e nem despenteio

ao coração – madrugada
ao beijo perdido – astrolábio

ao arrepio na pele – cobertor de lábios
ao nascer do sol – preguiça
ao nascer da lua – malícia
e a nossa viagem – ventania…

no ultraleve levo, na asa delta deito

no para-raio caio e nem me atrapalho

no dirigível giro, no zepelim zonzeio
do parapente freio e nem despenteio

pra dançar na vida – dois pés

pra dançar no mundo – caminhada
pra loucura na cidade – chalé

pra a outra loucura – namorada

pra você e sua vida – eu

pra você – a minha metade
e – pra todos os momentos – eletricidade


Noite de São João
(Badi Assad)

foi numa noite de são joão
que eu peguei meus desejos e pus num balão
fechei meus olhos e ele se foi
sumindo dentro da imensidão
levando meus sonhos pela noite
e dentro dele minha solidão

logo depois ele pousou numa nuvem
e fez chover lágrimas de amor
com tudo aquilo que desejei
que foi reconquistar o seu coração
e te lembrar de quanto beijei
sua boca durante todo o verão

e agora só me resta torcer
pra que a chuva caia bem rente ao chão,
onde os respingos bem de mansinho
vão aquecendo o seu coração

e traga ele pra bem pertinho de mim
pra me acolher até o fim…
mesmo que de vez em quando
eu precise de outro balão pra fazer chover
mesmo que de vez em quando
eu precise fazer chover de novo minha paixão…

foi numa noite de são joão


Catupiri
(Badi Assad)

catupiri, cato o pirata
na temperatura mulata
te adorno como prata
dentro da madrugada

cato o perito, tempero o molho
colo aqui a mira do olho
cato o pequi pra noitada
colho o ardido da mostarda

fecho a matraca, calo o perigo
giro a catraca no umbigo
abro a mão na hora exata
sinto a gargalhada

beijo o cangote, beijo de jeito
beijo até o imperfeito
como o verbo e o sujeito
com todo o respeito

sinto arrepio dentro da mata
sinto bem lento o acrobata
numa pirueta primata
dentro da madrugada

sinto na pele as asas do vôo
calo qualquer desconsolo
cato no céu que arrebata
a mordida homeopata

como o condensado do bolo
como com o dente o miolo
cato o nó da gravata
com a perna psicopata

calo a causa e o porquê
calo a náusea sem blasé
te cato no tato sem te ver
calo e colo em você


O Barco Daqui de Dentro
(Badi Assad)

O barco daqui de dentro
navega bem ligeiro (contente)
quando atravessa meu mar
encontra tempestades
mas me navega por inteiro (docemente)
sem temer naufragar

No meio do tumulto
descobre os meus segredos
e aprende assim muito bem
onde é que pode me esperar
quando chega muito cedo para me velejar

me navega, me veleja
me descobre mar adentro
me sacode, me arrepia
me inunda até o centro
me sossega, me areja
me carrega bem para dentro
me acode, me alicia
me passeia assim… bem lento


Eu Vim Daquele Lugar
(Badi Assad)

eu vim daquele lugar
onde se come fogo e se veste duna
pegadas fofas por entre aquela espuma
de um branco amarelado e eu vim a nado

pelo nilo, pelo atlas, pelo atlântico,
antigo, ânimo eu nasci na cidade dos anjos
onde toda cor é cor-céu
onde das mãos escorre mel

nasci adulta e apressada
farejei minhas pegadas de alma
e descobri-me encantada e calma
hoje eu canto o som do nada
do infinito que reside em mim

hoje eu calo e grito pra compartilhar o meu amor,
tudo o que sinto, minha alegria
coisas que ria, que rio, que janeiro
que pesco, cheiro, meu tempero

e volto pr’aquele lugar, nado até não dar pé
mergulho pra dentro contra a maré
e o fundo é distante e negro
então descubro o meu sol, meu tesouro, meus segredos

me aporto por entre navios costeiros, barcos praieiros
me descubro pérola, onda, alga, areia me adoço de boto, me salgo de orca
me tempero de mar
e reapareço rainha… com minha veste azul
e meu manto de estrelas…


Apimentados Momentos
(Badi Assad)

apimentados momentos
de casais sedentos e friorentos de outros lábios
casais de rosas e escravos
temperados com vodka e gim

casais que se separam, se unem e se beijam
casais que se desejam
casais que se encontram, se unem e pelejam
casais que se despejam

apimentados momentos
de casais modernos e ternos de outros lençóis
casais de girassóis
temperados com iscas e anzóis

casais que se separam, se unem e se beijam
casais que se desejam
casais que se encontram, se unem e pelejam
casais que se despejam

e você chove no peito que rio navega
a loira dos seus sonhos é fria como o gelo
e erra…

e você sonha no peito que cio trafega
a loira dos seus sonhos virou pesadelo
e berra…


Mulheres e Cunhatãs
(Badi Assad)

nós, que trazemos um vulcão dentro do coração
eruptivas, germinamos toda nossa emoção
impermeável maré, incansável fé,
no peito um enxame de abelhas
que morde e que dá mel, que zumbe e cheira a flor
que amedronta e que é mistério

nós, sem nós na garganta
sem sermos santas, poder que emana
pequenas e tamanhas fogueiras de inquietante pulsar
recriando tudo com toda a lucidez

esquadrilha mágica de corações abertos
correntes elétricas, oásis no deserto
decifrando segredos, seres do amanhã
anciã, mãe, índia, maga, cunhantã
crias nas mãos de tupã, forças de titã
milhares de corpos em ímã

nós, sem nós na garganta
sem sermos santas, poder que emana
pequenas e tamanhas fogueiras de inquietante pulsar
recriando tudo com toda a lucidez

um forno ligado. Um micro, macro ser
um vendaval de verdades, um arsenal de paisagens
furacão de amor, caleidoscópio
hipotálamo, helicóptero de aura selvagem

um balde de beijos humanos,
uma fralda nos fragosos anos
um caldo nas caldas profanas
um canto no canto solitário,
uma alma na voz do mundo
uma semente no ventre mudo, mudança.


Mar Egeu
(Badi Assad)

daqui avisto as nuvens do meu delírio
de onde vim estava frio
por isso virei líquido
para chegar pacífico

as luzes lá de longe piscam
num flerte entre as realidades e eu
hoje meu coração aprende que perdeu

então me visto de águia
e me descubro alerta
sobre a marola brava
do barco que navego incerta

e assim me sinto num acalanto
vou pra onde me espera o encanto
por isso nado me aquecendo
pra chegar mediterrâneo

um amor novo me elegeu
no mar egeu

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